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08 de fevereiro de 2012

Sua Vez/Wenderson Wanzeller

Joga pedra na Toyota

Publicado em 08/05/2010, às 18h28
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Wenderson Wanzeller

Dizem que quando a NASA começou a explorar o espaço, ela se deparou com um grande problema. Por conta da gravidade zero, as canetas esferográficas dos astronautas não escreviam no espaço. Motivados pelo inesperado, após uma década de estudo e com investimentos superiores a um milhão de dólares, os cientistas finalmente resolveram o problema. Desenvolveram uma caneta que escrevia na gravidade zero. Os russos? Eles simplesmente usaram um lápis.

Não se justifica, por um problema no tapete, bloquear as vendas de uma empresa do porte da Toyota. Isso está causando um dano empresarial tão grande que, até mesmo os concorrentes, devem estar intrinsecamente solidários com a situação. Para que reinventar a caneta, suspendendo a venda, quando bastava, de forma prática, usar o lápis e ordenar a retirada dos tapetes de circulação?

A vida humana é imensurável. Se ocorrer algum acidente no Brasil por conta da falha nos tapetes, sou favorável e defendo a aplicação de uma pena severa. Recentemente o governador de São Paulo ordenou ao estado que reparasse, através do pagamento de uma pensão vitalícia, à família do motoboy assassinado por policiais daquele estado. Justo? Talvez não. Mas, nem por isso, o governador suspendeu as atividades policiais para uma reestruturação de seu quadro.

A Toyota está no Brasil há mais de 50 anos, possui cerca de 3200 colaboradores e tem mais de 122 concessionárias espalhadas em nosso território. Entre empregos diretos e indiretos, ela deve responder por mais de 100 mil pessoas. Fora isso, através da fundação que mantém, a montadora preza pelo meio ambiente, pela fauna e pela comunidade onde atua.

Durante 04 anos consecutivos, concedido pela revista Carta Capital, a Toyota recebeu o título no setor automobilístico de “Empresa Mais Admirada do Brasil”. Será que, do dia para a noite, por conta de uma falha na colocação de um tapete, a reputação de 50 anos da montadora deve ser manchada? E os milhares de clientes satisfeitos, o que será que acham disso? Será que se justifica ter o carro desvalorizado na hora da revenda por conta de um detalhe, ou seja, um problema no tapete?

É necessário investir milhões de reais para se consolidar uma marca no Brasil. No caso da Toyta, bilhões. Não devemos criar a estigma de país intolerante. Devemos ser firmes, não intransigentes. Pois além dos impostos e dos empregos que podem ser afetados, também precisamos refletir sobre a nossa imagem frente a novos investidores internacionais. Não é justo, sob o motivo alegado, jogarmos pedra na Toyota.

Sou proprietário de um veículo modelo Corolla e, há menos de dois meses, comprei para minha esposa um modelo Sportage, da Kia. Por estar grávida de quase nove meses, apesar da sensação de segurança que o modelo da Kia oferece pela altura, a opção dela é sempre a Toyota. “A direção macia e o conforto do Corolla são evidentes”, diz ela.

Sinceramente? Se tivesse alguma dúvida em relação à segurança do carro (Corolla), não deixaria, sob nenhuma hipótese, que minha esposa tomasse a direção do veículo no estado em se encontra.

Mas e quanto ao problema do tapete? Simples. Tirei-o fora. Optei pelo lápis.

www.seudinheiro.blog.br
twitter: @doutorgrana


Wenderson Wanzeller é atuário, comentarista financeiro e apresenta semanalmente o quadro $eu Dinheiro no programa Repórter Canção Nova.


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