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08 de fevereiro de 2012

Sua Vez/luiz carlos amorim

Luiz Carlos Amorim: As reprises que pagamos

Publicado em 12/06/2010, às 15h22
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Luiz Carlos Amorim

Fico cada vez mais indignado com a maneira como a gente é roubado. É na conta de telefone, na conta da água – de vez em quando vem uma conta astronômica e não adianta reclamar, porque somos nós que temos que provar que não devemos aquilo; nos boletos, onde cobram de nós a taxa bancária que deveria ser paga pelo cedente; na conta de internet – ficamos sem sinal por dias a fio, a velocidade vive oscilando e não raro fica abaixo dos dez por centos que eles garantem, o que já é um absurdo, mas a conta no final do mês sempre vem integral, e outras contas mais.

Uma das contas que venho questionando é a de TV a cabo (ou satélite, que seja). Já diminuí o pacote, mas continuo me sentindo roubado. A gente paga uma fortuna de TV, para ter opção de escolher alguma coisa menos ruim para assistir, para variar, mas o que temos é reprise, reprise, reprise.

Os programas, seriados e filmes passam no horário nobre e depois repetem de madrugada, de manhã e de tarde. Alguns dias depois, repetem de novo, mais adiante de novo e de novo. Alguns filmes passam quase todo dia, como “Bridget Jones”, “Escorpião Rei”, “O Retorno da Múmia” e outros tantos dos quais não lembro e nem quero lembrar os títulos. Há dias, inclusive, que o mesmo filme passa em dois canais diferentes. Aliás, os filmes constituem um problema à parte, pois todos os canais (ou redes) parecem poder comprar os mesmos filmes. Então eles repetem exaustivamente num canal e repetem também em vários outros canais. Há filmes que passavam quando eu assinei pela primeira vez a TV a cabo, há mais de dez anos, que passam hoje, ainda.

Com dezenas de opçoes, a gente senta pra ver alguma coisa e busca por todos os canais, mas não há nada de novo. É tudo reprise. Até noticiário é reprise, se você viu à noite, no dia seguinte de manhã já sabe de quase tudo. Se viu algum jornal na TV durante o dia, à noite você já terá visto a maioria das notícias.

Para que, então, pagamos tão caro uma profusão de canais que ficam nos empurrando goela abaixo um monte de reprises?

Parece que a coisa mais fácil, atualmente, é fazer a programação de um canal. É só ter meia dúzia de filmes, seriados ou algum outro tipo de programa e repetí-los incansavelmente.

Não seria mais honesto termos menos canais e mais programação? Não está na hora de cobrarmos menos reprises pelo que pagamos? Nem falo na qualidade. Esse já é outro capítulo.

Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


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