O Governo do Estado realiza diversas ações para combater a dengue nas manifestações clássicas e hemorrágicas da doença, no Rio Grande do Norte. Capacitação de profissionais, laboratório de isolamento viral, supervisão das ações nos municípios e monitoramento dos casos da doença são algumas delas.
Na supervisão desenvolvida pelo Estado, técnicos da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) visitam os municípios prioritários e os que estão em situação de transmissão da doença para verificar as ações locais e as dificuldades enfrentadas.
A partir desta terça (31), os supervisores estarão nos diversos bairros de Natal. Entre os municípios visitados na última semana, estão: Pau dos Ferros, Rodolfo Fernandes, Marcelino Vieira e Frutuoso Gomes - na região Oeste do Estado.
"Temos feito tudo que é da competência estadual e exigido pelo Ministério da Saúde. Estamos abertos para receber todas as informações e comunicados no âmbito da dengue e apoiarmos os municípios no seu enfrentamento", explica Juliana Araújo, subcoordenadora de vigilância epidemiológica da Secretaria de Saúde.
Cumprindo as responsabilidades que cabem ao Estado - de acordo com a Portaria do Ministério da Saúde nº 3252 de dezembro de 2009 - de apoiar, monitorar, capacitar e supervisionar as ações dos municípios, nos casos de dengue e de todas as doenças de notificação obrigatória, o Governo do Estado capacitou, nos últimos 18 meses, cerca de 500 profissionais de saúde, entre médicos, gestores e enfermeiros. A capacitação ensina a fisiopatologia da doença e o manejo clínico e é feita nas diversas regiões do RN, de acordo com as necessidades de cada município.
Com a instalação, em novembro de 2009, do Laboratório de Isolamento Viral, localizado nas dependências do Laboratório Central (Lacen) da Secretaria Estadual de Saúde, o Governo do Estado também garantiu maior agilidade nos resultados de identificação dos subtipos da dengue. O tempo dos resultados dos exames que eram realizados fora do Estado e chegavam a demorar de 3 a 5 meses foram reduzidos para 30 dias. Maior rapidez nos resultados, mais rapidez na definição e agilização de medidas cabíveis.
Com o laboratório, a Secretaria de Saúde passou a fazer efetivamente o monitoramento dos sorotipos circulantes. Com os dados obtidos, a Sesap tem condições de, em curto espaço de tempo, organizar as ações para o enfrentamento da doença e o esclarecimento de óbitos com suspeitas de dengue.
O monitoramento é feito através de quadro com informações sobre a ocorrência de casos suspeitos de dengue nos municípios. As informações são repassadas pelos municípios às seis Unidades Regionais de Saúde do Estado. De posse dessas informações, a Secretaria Estadual de Saúde emite semanalmente boletim com a situação da dengue no Rio Grande do Norte.
Para que os boletins transmitam a verdade sobre a dengue, os municípios precisam informar os casos suspeitos que apareçam e o índice de infestação predial. Segundo dados da Secretaria de Saúde, na última semana, 44 municípios foram silenciosos em relação à incidência de dengue. "Esses municípios simplesmente não notificaram. Eles nem mesmo disseram que não existiam casos", observa Juliana Araújo.
Municípios
Cabe aos municípios a execução das ações para se evitar a doença. Para cada grupo de 800 a 1.000 imóveis, o município tem que contar com um agente de endemias fiscalizando e orientando. Cabe também a esse agente a eliminação e o tratamento necessário dos focos.
Governo Federal
Ao governo federal, compete a liberação de recursos financeiros, material educativo e o inseticida usado nos carros fumacê. A ação do carro fumacê é feita pelo Estado, mas deve ser feita mediante critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Os critérios são: índice de infestação do mosquito acima de 1% no município ou em áreas de grandes cidades; confirmação de casos espalhados; e a existência de casos suspeitos de dengue hemorrágica.
"O carro fumacê serve para melhorar momentaneamente uma situação de risco. O que resolve mesmo é o trabalho de prevenção", enfatiza a subcoordenadora de vigilância epidemiológica da Secretaria de Saúde.
A dengue é uma doença que ultrapassa os limites do setor de saúde e de apenas uma esfera do poder público. Ela vai desde o abastecimento de água, da drenagem e do saneamento, até o aspecto educativo junto à população.